Sabores de Infância: a panelada de pombas que matava a fome

As memórias de infância parecem ser, de todas, as mais gostosas, quase sempre marcadas pelo macarrão com salsicha servido na merenda da escolinha, pelo doce de abóbora que a avó passava horas mexendo no tacho… Para muita gente, no entanto, as memórias dos tempos de criança não são muito doces; elas remetem a uma época de “não comida”, de passar fome (ou de correr esse risco).

O construtor civil e poeta Luiz Antônio de Brito, hoje aos 68 anos, cresceu junto dos irmãos em uma casinha simples na Barra Funda, em São Paulo, com a ajuda dos dois exíguos salários mínimos recebidos pelos pais. Para evitar que os garotos ficassem com fome, o pai encontrou uma solução culinária que hoje seria impensável: cozinhar pombas. Como se fossem os frangos que eles não tinham dinheiro para comprar, as aves eram depenadas, preparadas em panelada e provadas com alegria pelos meninos. “Era a única proteína que a gente comia.”

Giovanna Kupfer, hoje com 70 anos, cresceu em Roma, em uma família judia de boa situação financeira. Mesmo assim, passou seus primeiros anos de vida no período pós-Segunda Guerra, quando o racionamento de comida ainda era regra na Europa. Ao se mudar com os pais para Nova York, antes da vinda definitiva a São Paulo (onde ela, já adulta, criaria a marca de produtos infantis Giovanna Baby), a menina italiana achava que nos Estados Unidos também seria necessário racionar os alimentos. E foi assim que, um dia, aos 6 anos de idade, escondida da família, ela resolveu sair pela vizinhança pedindo comida de porta em porta, só para “não faltar” em sua própria casa.

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