Origens embrulhadas em folha de uva

A comida é capaz de aproximar pessoas que não conseguem se falar de outro jeito. Encontrei no Twitter o relato de uma moça norte-americana chamada Devi Lockwood. Foi escrito para o canal online da NPR (uma rádio pública norte-americana sediada em Washington). No texto, Devi conta como aprendeu a fazer charutinho de folha de uva. Devi é poeta, ciclista e ativista…

Sabores de Infância: só gosto do mexido da vizinha

A psicóloga Maria Rosária Silva Callil, hoje com 56 anos, era daquelas meninas “difíceis” de se alimentar. Sua lembrança de comida mais marcante não vem da cozinha da mãe, mas da vizinha: apesar de torcer o nariz para as receitas preparadas em sua própria casa, ela comia com gosto o mexido feito pela mãe de uma amiga,…

Sabores de Infância: a panelada de pombas que matava a fome

As memórias de infância parecem ser, de todas, as mais gostosas, quase sempre marcadas pelo macarrão com salsicha servido na merenda da escolinha, pelo doce de abóbora que a avó passava horas mexendo no tacho… Para muita gente, no entanto, as memórias dos tempos de criança não são muito doces; elas remetem a uma época de “não comida”,…

Sabores de Infância: Páscoa sem chocolate, domingo com macarronada caprichada

A primeira coleção de vídeos criada pelo Lembraria para o Museu da Pessoa começa a ser publicada hoje. A cada dia, ao longo desta semana, um depoimento selecionado entre as diversas histórias de vida coletadas pelo museu vai aparecer por aqui. Todos eles estão conectados pelo tema que nos move: as memórias de comida. A coleção de estreia,…

O arroz com suã que alimentava meio mundo

Atelobrobio, escreve Regina Pereira. Uma palavra que pede um espelho. Oi, responde alguém que se pensa borboleta, grande coisa, e começa a ler a carta. Mineira de Juruaia, nascida em 1956, Regina cresceu na Vila Albertina, zona norte de São Paulo. Ela, que carrega desde sempre uma casa de Minas dentro de si, escolheu pintar a…

O ensopado de pescoço de peru com agrião

Caroline Maciel Lauar nasceu em Belo Horizonte, em junho de 1980. A carta para o Lembraria ela escreveu de Munique, na Alemanha, cidade em que vive atualmente. O que lhe dá água na boca é uma receita dos tempos em que morou no Espírito Santo e por ela definida como “as mil possibilidades da impossibilidade”….

As panquecas fritas da vó Sofia

Paulistano da Mooca, Henrique Martin tem 38 anos e vive, hoje, na Vila Monumento. Pelo som de sua voz neste depoimento por escrito, podemos suspeitar que um monumento ele também seria capaz de erguer para as inesquecíveis panquecas fritas de queijo preparadas por sua avó lituana que, segundo ele, era péssima cozinheira. Minha avó lituana (mãe…

O pêssego em calda com creme de leite

A memória de gosto da Ana Paula Amaral do Carmo tem sabor de despedida e de recomeço. Vamos deixar que ela conte a história do pêssego em calda que sua mãe lhe pediu e ela serviu em copo simples, desses de bar, como um último desejo. Ana é paulistana da Penha, nascida em agosto de 1971….

A sopa de pão do Seu Sabino e da Dona Odete

A sopa de pão é minha primeira lembrança de gosto. Podia ser pão perdido, esquecido ou novo. Era doce e montada na caneca de alumínio meio amassada. Rasgo o pão, derramo café e leite e polvilho açúcar. Naquele tempo [1981, 1982], quando encontrava no meio da sopa um miolo cheio de manteiga, sabia que havia sido premiada…