Chuva no casamento dá sorte ou azar?

A edição de 26 de junho de 1910 da Revista da Semana, publicada no Rio de Janeiro, reunia algumas superstições de casamento em vigor na época em que a noiva ia até a cerimônia de carruagem não por moda retrô, mas por única opção. “Superstições no casamento Dizem – e nunca se sabe quem – que…

Páscoa com saci e confeitos de anis

A Semana Santa por muito tempo marcou o fim da Quaresma iniciada no Carnaval. Apontava o dia em que, para os mais religiosos, era possível voltar a comer carne vermelha, galinha e ovos. Antes do Domingo de Páscoa, no entanto, ainda seria preciso jejuar na Sexta-Feira Santa, ou Sexta-Feira Maior, pelo menos até a hora do almoço,…

Fogão de quilombo: memória e realidade

Foi-se o tempo em que se acreditava na história de que os escravos preparavam para si substanciosos caldos de feijão cozido com miúdos de porco ou de boi que haviam sido descartados por seus “donos”. De provável inspiração europeia, a feijoada sempre esteve mais perto da casa grande do que da senzala; tratados como animais, quando muito, os cativos costumavam se…

“A galinha caipira é boa, cozinhada no suor”

“Nasci na comunidade do Barreirinho. Ah, o ano eu não tenho certeza, mas eu sei que sou do dia 15 de julho, de junho. A minha mãe tinha uma amiga, e ela gostava muito da amiga. Quando ela me ganhou, ela disse assim: ‘Vou colocar esse apelido na minha filha!’ Então, ela colocou o meu nome de…

Uma história de escravidão, pães caseiros e cenouras miudinhas

Se Dona Risoleta estivesse viva, teria feito no último dia 20 de março 117 anos. Na década de 1970, quando beirava os 80, ela falou de sua vida para a psicóloga Ecléa Bosi (hoje professora emérita da Universidade de São Paulo), que então realizava as entrevistas que analisaria para o importante trabalho Memória e Sociedade: lembranças de…

Comida de avô, no lombo do burro, no meio da tropa

A imagem do feijão-tropeiro cristalizou-se como a de um potente PF de tutu ou virado com bastante toucinho (ou bacon), acrescido de couve e, às vezes, também linguiça. Alguns dizem que a diferença entre essas receitas seria a farinha utilizada para engrossar o feijão: de mandioca, para o tropeiro; de milho, para o tutu e o…

“O almoço era um feijão-tropeiro feito na trempe”

“Meu nome é José Alves de Mira, eu nasci em outubro de 2024, como é que é? De 1924, né? Meu pai trabalhava na enxada, plantava muito, a gente plantava muito e trabalhava com tropa. Nas colheitas, ele trabalhava com tropas. Baldear as coisas para a cidade era o trabalho dele. Levava arroz, feijão, milho,…

Comida de mãe, segundo as regras da tataravó

Quando o doutorando Antonio Candido (hoje renomado literato, aos 98 anos de idade) estudou de perto as comunidades de bairros rurais de algumas cidades do interior de São Paulo, entre 1947 e 1954, observou que as mulheres recém-mães mantinham um velho costume de “guardar” os quarenta dias após o parto. No estudo que resultou em sua…

O arroz e o feijão: histórias de um encontro culinário

Por meio do projeto Armazém do Brasil, realizado em parceria com o Sesc, o Museu da Pessoa gravou cerca de oitenta horas de conversa com pessoas que trabalharam na Zona Cerealista de São Paulo ao longo do século 20*. Essa enorme área de comércio, que se desenvolveu a partir do pioneiro entreposto de alimentos instalado nas proximidades dos…