O verso da comida: histórias de fome

É na ausência total de alimentos que parece ficar ainda mais evidente o quanto dependemos do comer (e do cozinhar) para reforçar nossa identidade, nossa autonomia, nossa liberdade. Em mais uma coleção criada a partir do acervo do Museu da Pessoa, reunimos histórias de vida que demonstram essa ideia ao remeter não à comida, mas…

O verso da comida: o racionamento de guerra que nunca precisou existir

Embora tenha se desenrolado na Europa, a Segunda Guerra reverberou no Brasil de muitas maneiras, inclusive na venda de alimentos. A farinha de trigo foi um dos ingredientes que, entre 1939 e 1945, mais rarearam no mercado. Para suprir a falta dela, muita gente dava um jeitinho que parece ter se tornado unanimidade: desmanchar a massa de…

O verso da comida: a fome fez dela cozinheira

  Depois de passar fome e de viver de esmolas em sua cidade-natal, Eldorado, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, Nair Oliveira de Almeida resolveu mudar. Transferiu-se para a capital, currículo na mão e de porta em porta, com a intenção de trabalhar em uma casa de família. Conseguiu: assumiu o posto de…

Cozinha imigrante: receitas judaicas em trânsito

Nas bagagens dos imigrantes, nem sempre houve espaço para cadernos de receitas (nem sempre houve espaço, aliás, para qualquer bagagem…). Trazidos na memória, modos de preparo também tiveram de se adaptar aos costumes culinários locais, aos ingredientes disponíveis, aos gostos de filhos e netos que foram sendo criados ou nascendo na nova terra. Muitas receitas transformaram-se;…

Cozinha imigrante: arroz escuro com feijão-branco

A foto acima mostra a cidade de Opole, na Polônia, onde Rosa Fajersztajn passou a infância e a adolescência até “quando mandaram exterminar os judeus”. Nascida em 1919 no distrito de Kazimierz, na Cracóvia, Rosa cresceu em uma família judia e, desde pequena, sentia que havia diferenças com relação aos moradores católicos. Uma delas se manifestava na cozinha. Ela não podia comer,…

Cozinha imigrante: a bureka búlgara

Natural da Bulgária, Lina Levi não conhecia o iugoslavo Avraham Ben Avran, mas suas histórias, sem querer, seguiram caminhos um tanto paralelos. De família judaica, ambos deixaram o Leste Europeu para viver em Israel, logo após a Segunda Guerra. Mais tarde, decidiram se mudar para o Brasil e vieram morar em São Paulo, no bairro do…

Cozinha imigrante: a burikita judaica

Quando o iugoslavo Avraham Ben Avran chegou a São Paulo, depois de deixar Israel, foi dar uma volta no Bom Retiro, o bairro em que viveria e onde, mais tarde, montaria a Doceria Burikita. Ao se deparar com uma placa na Rua dos Italianos, “curva perigosa”, ele se assustou não pelo perigo, mas pela tradução instantânea…

Memórias de supermercado: a loja que revolucionou a cozinha

Já se tornou até batida aquela história de que as crianças das grandes cidades, cada vez mais distantes da vida rural, acreditam que o frango venha direto do supermercado, daquele jeito limpinho, cortado em filés (ou empanado), congelado, embalado. A constatação de que a carne possa ter sido “fabricada” no supermercado soa ingênua, mas não surpreende:…

Memórias de supermercado: gelatina, duas por uma

Em dois anos, entre 1953 e 1954, o “supermercado” deixou de ser palavra desconhecida para se tornar o emprego da vida do paulistano Mário Gomes D’Almeida. Depois de ajudar a inaugurar o pioneiro SírvaSe, ele resolveu seguir os passos dos fundadores, que haviam vendido a rentável sociedade para abrir uma casa concorrente, Peg-Pag, inaugurada na…

Memórias de supermercado: paga pra entrar?

Era setembro de 1953 quando aquela loja nova, na Rua da Consolação, quase na esquina com a Alameda Santos, em São Paulo, abriu as portas. Os anúncios publicados nos jornais meses antes fizeram com que moradores de perto e de longe tivessem se dirigido até ali ressabiados, curiosos pela novidade. No letreiro da casa, lia-se “SírvaSe”, mas,…