Café da manhã na Croácia

Na Croácia, “puchurata” (pušurata) é uma tradicional comida de rua e, antes de tudo, um quitute típico do começo do dia, contribuindo para um café da manhã farto e demorado no pedaço mais ao sul do país. À base de batata e polvilhado com açúcar e canela, o doce é uma espécie de “bolinho de chuva”…

Vestido bem cintado, saia na altura da panturrilha… e cartola

Instruções de leitura: antes de mais nada, coloque Nat King Cole para cantar. Depois, imagine uma cena: meados dos anos 1950 – aquele tempo a que muita gente quando era mais nova e ingênua se referia com um “puxa, queria ter vivido nessa época…”, achando que tudo não passava de um baile dos tempos da brilhantina no…

Mesa para um (ou quando Lucullus janta com Lucullus)

A escritora norte-americana M.F.K. Fisher (1908-1992), importante autora de assuntos de comida, publicou no fim dos anos 1930 um artigo chamado On Dining Alone. Saiu em seu livro Serve it Forth. (Sobre o mesmo tema – e ela os associa em An Alphabet For Gourmets – há também A is for dining Alone.)* Aqui, em tradução livre, dois…

Por que você está me contando isso?

Em “À Mesa com o Chapeleiro Maluco” (Companhia das Letras), o ensaísta Alberto Manguel explora a “demência sublime” de personagens doidos da literatura. Não é um livro de pegada gastronômica, ainda que seu nome possa sugerir que sim… “Em nossa época, para criar e manter a engrenagem forte e eficiente do lucro financeiro, escolhemos coletivamente…

O nascimento do saquê

The Birth of Saké narra a rotina dos funcionários em uma antiga e tradicional fábrica de saquê. Ela fica em Ishikawa e se chama Tedorigawa Yoshida Sake Brewery. O negócio familiar tem mais de 140 anos. O filme fornece informações importantes sobre os ingredientes e a laboriosa produção (saquê é basicamente um fermentado de arroz,…

Um restaurante que funciona da meia-noite às 7h

Midnight Diner é um restaurante japonês encravado em uma ruazinha de Tóquio. Funciona da meia-noite às sete da manhã e em seu cardápio há um único prato (sopa de missô com carne de porco) e poucas bebidas. Só que o cozinheiro tem uma política de acolhimento bastante peculiar: ele se propõe a preparar qualquer outra…

Origens embrulhadas em folha de uva

A comida é capaz de aproximar pessoas que não conseguem se falar de outro jeito. Encontrei no Twitter o relato de uma moça norte-americana chamada Devi Lockwood. Foi escrito para o canal online da NPR (uma rádio pública norte-americana sediada em Washington). No texto, Devi conta como aprendeu a fazer charutinho de folha de uva. Devi é poeta, ciclista e ativista…

“A mesa narra o mundo”

Sábado, na livraria, fui buscar o presente da amiga que estava de aniversário. Queria também me jogar na serendipidade típica de onde o acaso encontra seu lugar. Isso me animou, ainda que eu me movesse com alguma dificuldade. Estava pesada. Tinha dormido pouco, almoçado muito, bebido vinho à luz do sol e o sono me puxava para…

Jamón ibérico: a “perfeita” expressão da terra

A partir da página 170 do livro O Terceiro Prato – Observações sobre  o futuro da comida (Bicicleta Azul, ed. Rocco), o autor, cozinheiro e pensador norte-americano Dan Barber mergulha em uma investigação profunda sobre o tradicional sistema produtivo do mais importante presunto cru espanhol, o jamón ibérico. Obtido do pernil de porcos pretos criados soltos (não…

“Para ter história, basta ser pessoa”

Novidade: o Lembraria acaba de assinar uma parceria com o Museu da Pessoa. Por meio dela, vamos trabalhar o acervo do Museu para extrair, do manancial de depoimentos e histórias de vida coletados em vídeo, mais histórias de comida. O Museu da Pessoa surgiu em São Paulo, em 1991, a fim de registrar, preservar e espalhar…

Sabor: isso é coisa da sua cabeça

A construção do gosto se dá mais pelo cérebro ou pela comida? Para o autor norte-americano Harold McGee, que trabalha muito a relação entre ciência e cozinha, o que importa à mesa é a percepção e, nesse sentido, o sabor estaria no cérebro mais do que em qualquer outro lugar ou molécula. Em um artigo chamado…

“A papoula é crocante e isso faz parte do gosto”

Das coisas que gosto na culinária húngara: o doce de papoula; a palacinta; o goulash; o doce de mil-folhas. Das coisas que gosto na culinária brasileira, o escondidinho de mandioca; o pastel; o doce de abóbora com coco; o doce de queijo com goiabada. Cresci vendo minha mãe fazer doce de papoula. O que posso…