O doce de laranja amarga do Seu Honório, o pai da Daniela

Nascida em Cotia, em São Paulo, no ano de 1977, Daniela Previde Stefano Emerick cresceu na Granja Viana e hoje vive na cidade de Veranópolis, no Rio Grande do Sul. É de lá que ela acerta as arestas das próprias memórias: o pai, Honório, trabalhava fora. Não era dele, a rigor, a tarefa de cozinhar. Só…

O arroz mexe-mexe da mãe da Ana

Ana Ban nasceu e cresceu em São Paulo e hoje vive no Brooklyn, em Nova York. Para lá, levou uma receita importante: arroz mexe-mexe. Quando está chateada ou irritada, sua voracidade é direcionada para uma panela de arroz com ovo mexido, que prepara ao modo de sua mãe. À pergunta que angustia muita gente (o que…

Os bolinhos de carne moída da Dona Luzia

Filha de baiano, paulista nascida em Guarulhos, Fabiana Ferraz não costumava hesitar na escolha ao pedir para a mãe um comida especial em seu aniversário. No lugar de docinhos e bolo confeitado, a festinha dos sonhos daquela criança tinha bolinho de carne moída e refrigerante. A bela Dona Luzia já não cozinha mais. Suas receitas, contudo, ainda…

Especial: Dalva e as rãs fritas do Rio Tietê

Muitos anos depois dessa foto, tirada em 1955 quando ela tinha 17, a paulistana Dalva Soares Bolognini continua encantadora: uma senhora elegante, de olhar interessado, sorriso delicado, jeito educado. Embora tenha nascido na Barra Funda, em 1938, passou a infância e a juventude no bairro da Casa Verde, em São Paulo, e lá permaneceu até se casar,…

Vídeo: qual é o sentido de uma receita?

Para que serve, afinal, uma receita culinária? Na prática, é para você se orientar, se inspirar e fazer diferente. Esse “diferente” pode levar a um sabor e a uma apresentação iguais ou a um resultado completamente distinto e, quem sabe, até melhor. A partir de uma sobremesa bem açucarada (pera ao creme de caramelo), no…

O judaísmo que nascia pela boca

Em outro texto do Lembraria, apresentamos os mestres griôs, senhores e senhoras que guardam para si a respeitosa função de guardar e transmitir saberes dos mais diversos, aprendidos oralmente com pais, mães, avós. A paulistana Deborah Hornblas Travassos, nascida em 1961, parece ter se inspirado nessa história para contar a de sua mãe, que, “como toda matriarca…

Cozinha imigrante: receitas judaicas em trânsito

Nas bagagens dos imigrantes, nem sempre houve espaço para cadernos de receitas (nem sempre houve espaço, aliás, para qualquer bagagem…). Trazidos na memória, modos de preparo também tiveram de se adaptar aos costumes culinários locais, aos ingredientes disponíveis, aos gostos de filhos e netos que foram sendo criados ou nascendo na nova terra. Muitas receitas transformaram-se;…

O chá de hortelã com bolacha de água e sal

Lívia Mendes Moraes nasceu em 1990, em Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo. Cresceu e vive até hoje no bairro de Aterrado, na também paulista cidade de Mogi Mirim. Lívia conta que anda por aí com a alma carimbada pela diversão na casa de seus avós, chácara em que a cozinha…

Cenas do passado em fatias bem fininhas

As fatias de memória de Ana Regina Sucigan são cortadas bem fininhas – um ensinamento de seu pai, Sabino, e de sua mãe, Odete, que “aprontavam” juntos café da manhã, almoço e jantar do jeito preferido de cada um dos filhos. Essas fatias exibem, transparentes, as cenas de um passado que foi presente adjetivo. Ana…

O pão com bife para D. Miú

Do Boqueirão, em Santos, no litoral de São Paulo, Luiz A. G. Cancello escreveu O Bife. Nesse texto, o filho de D. Miú, nascido em 1945, lembra das recomendações de uma prima para fazer o bife perfeito (jamais se deve ceder à tentação de dar uma última virada) e das circunstâncias que o levaram para…

O bife da tia Noêmia

Raimundo Alves de Lacerda vive em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Ele nasceu em 1947. Quando era pequeno, um Chevrolet Impala (quem sabe um Cadillac) o levava, junto de sua mãe e seus irmãos, para um fim de semana de alegria na casa de sua tia Noêmia, mulher do tio Bilô e fazedora de um bife acebolado…

Comer e beber a cidade: na Vila Madalena, antes da boemia

No mapa da memória paulistana, o clichê que parece ter sempre se encaixado na Vila Madalena é o da boemia. É tão grande o burburinho noturno por lá, e tão frequente o abre e fecha de bares e restaurantes, que essa região colada a Pinheiros, na Zona Oeste, dá a impressão de já ter nascido afeita a…