O álbum dos bolos de casamento (1954-1987)

bolo_Victor e Josefina_1954
Josefina e Victor casaram-se em 1954, em São Paulo, com um bolo de dois andares separados por colunas cobertas de papel-alumínio; ele ainda estava intacto no momento em que muitos pratinhos de papelão – provavelmente dedicados aos salgados – já se acumulavam sobre a mesa da festa
bolo_Josef e Farizi (irmã de Isabelle) e Aparecido e Isabelle
Joseph (à esquerda) era primo de Aparecido (à direita); Farizi (à direita) era irmã de Isabelle (à esquerda). Joseph casou-se com Farizi e Aparecido com Isabelle em uma mesma festa, em 1956, em Araraquara. Os casais compartilharam o bolo de três andares (dois deles tinham uma “noivinha” curiosamente sozinha no topo)
bolo_Dilson e Estherzita_1958_Muriaé
O bolo do casamento de Dilson e Estherzita foi cortado em 1958, em Muriaé, Minas Gerais. Tinha três andares, como parecia mandar a época, sustentados por colunas tão decoradas quanto o bolo
bolo_Manuel e Jandira_1959
A festa de Manuel e Jandira, realizada em 1959 em Limeira, São Paulo, tinha um bolo que parecia ter sido montado sobre um candelabro; seis bolinhos menores se equilibravam ao redor da estrutura principal. Será que eram de comer ou só de enfeite?
bolo_Antonia Espinula_1973
Em 1973, o casamento de Antonia e Geraldo, em São Paulo, teve um bolo alto, mas de uma só camada, cercado de papéis de bala que deviam ser bem coloridos
bolo_Roberto e Walceli_1974
Na festa realizada em 1974, em Campinas, Roberto e Walceli cortavam um bolo “térreo”, com muito glacê e sem tantos frufrus quanto os dos anos 1950
bolo_Trassate e Virginia_1983
Em 1983, em São Paulo, Luiz Carlos e Virgínia posavam para a foto diante de um bolo de uma só camada, como os dos anos 1970, mas já coberto por muitos enfeites, à la década de 1980
bolo_Renato e Leonor_1987
O bolo do casamento de Renato e Leonor, servido em 1987, no Rio de Janeiro, conversava com os anos 1950 por meio de seus múltiplos andares e ramificações; algumas “pontes” faziam ligações com os bolos “satélites”

Quando convidadas a contar suas histórias, as pessoas costumam recorrer a marcos que as ajudem a lembrar de certos casos, de certos períodos. O casamento, oficializado ou não, parece ser um dos mais frequentes “guias” da memória. Por muito tempo, a festa organizada para celebrá-lo era um dos raros eventos da vida a ganhar registro em fotografia; era, assim, um dos poucos momentos do passado a poder ser “olhado” e “re-olhado”, quantas vezes desse saudade. Quase todo mundo já folheou, alguma vez, um desses álbuns de casamento antigos, de pais ou avós, responsáveis por moldar e transmitir muitas recordações de família.

Ao falarem de suas vidas para o Museu da PessoaRenatoLuiz CarlosRobertoAntoniaManuelDilsonAparecidoVictor levaram para a entrevista lembranças não só guardadas na memória, como também congeladas e ilustradas em papel fotográfico. Entre essas imagens, havia cenas de infância, de família e de casamento; destas últimas, todas tinham outro algo em comum: a recorrente pose de noivos sorridentes, junto ao enfeitado bolo da cerimônia. Separadas do acervo do museu, essas fotos de noivos e bolos contam, sozinhas, uma história que, para além da subjetividade das festas que registraram, em anos e lugares diversos, revelam a coletividade dos gostos, dos rituais e das modas culinárias que caracterizaram suas épocas.

Nessa breve linha do tempo que montamos acima, é possível acompanhar o ir e vir da estética dos bolos e, indo mais a fundo, do próprio pensamento a respeito do casamento. Se, nos anos 1950, os bolos montados e ricamente decorados podiam representar o orgulho do casal que seguia mais do que uma tradição, uma obrigação cobrada pela sociedade, nos anos 1970, a simplicidade da camada única, sem tantos adereços, talvez aludisse ao contrário.

Em um momento pós-1968, em que a liberdade das ditaduras (inclusive nas relações entre homens e mulheres) era buscada, o casamento havia se tornado “careta”. Casar deixava de ser dever; “juntar” se tornava possível e aceito – ou, ao menos, se lutava para isso. Assim como o casório, o bolo tinha de ter menos fachada, mais sabor. Chega a ser curioso que, na década de 1980, ele tenha voltado à pompa de vinte, trinta anos antes, em um movimento crescente que o transformaria nas atuais esculturas de açúcar e pasta americana. Na mesma toada, o casamento deixaria de ser apenas uma celebração; para muitos, viraria espetáculo.

Apesar dessas mudanças ao longo do tempo, as fotos de noivos e bolos mostram a permanência de símbolos fortes, resistentes a séculos: o branco alusivo da antiquada ideia de “pureza” da noiva; o corte de mãos dadas na mesma faca, com o desejo de futura cumplicidade; a ostentação de enfeites e glacê para fazer bonito entre os convidados presentes e os futuros, debruçados no indestrutível álbum de casamento…

Veja essas e outras fotos também na coleção “Bolos de Noiva”, no Museu da Pessoa. E leia mais sobre a história dos bolos de casamento:

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Outras coleções do Lembraria para o Museu da Pessoa:

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