Quibe: sempre aos domingos

Aos domingos em Três Lagoas, a menina Marta sentia o vestidinho pinicar na pele. O que era para ser desconforto na verdade desaparecia na expectativa de reencontrar, no bar da avó, o quitute preferido: quibe.

Marta Denise da Costa Santos nasceu em 1964, no Mato Grosso do Sul. Depois de viver em São Paulo e em Minas Gerais, está de volta àquela cidade do bar de sua família, do quibe agora impossível e de sua primeira infância. O bairro em que Marta vive e se lembra, hoje, tem o nome de Jardim Primaveril.

O bar era da avó e dos tios-avós. Domingo era o dia. Já acordava querendo entrar no fusca e partir em direção ao bar. Nem sempre era fácil. Primeiro pai e mãe cumpriam o ritual da casa, a lavação do carro, as podas do quintal. Depois, vestido “piniquento” era prenúncio de que a hora tinha chegado. E íamos. A memória apagou o trajeto, a chegada, a barulheira. Só ficou o sabor do quibe. Domingo era dia de quibe naquele longínquo e quente Mato Grosso antes de ser do Sul. Depois Sampa, com muitos quibes. Nenhum igual ao da infância.

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Este depoimento deu origem a um verbete em O dicionário das comidas impossíveis, que surge das respostas ao questionário Fatias de memória.

Clique aqui para contar sua história e nos ajudar a preencher esse relicário.

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