Pão de queijo em mineirês é mais gostoso

O vídeo acima é um extra do documentário O Mineiro e o Queijo, dirigido pelo cineasta Helvécio Ratton e lançado em 2011. Sozinhos, os 15 minutos protagonizados pela simpática Romilda, que ao lado do marido, Zé Pão, produz queijos na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais, poderiam ser o aperitivo para um longa-metragem inteiro, daqueles de fazer grudar os olhos e salivar a boca.

O pão de queijo preparado por Romilda segue uma receita “de geração”, e foi dela que uma leitora do Lembraria, Carol Maciel, se lembrou ao conhecer a história de dona Lucília, a mestre griô que estrelou uma das coleções que criamos para o Museu da Pessoa. Carol compartilhou o vídeo com a gente acrescentando o seguinte comentário: “[…] Não pude deixar de lembrar disso […]. Poesia em mineirês.”

Mineiras, Romilda e Lucília falam com orgulho de suas receitas, aprendidas com a mãe, misturadas com a força do braço, feitas em tamanho farto. Entre uma etapa e outra de seu pão de queijo, levemente ofegante depois de sovar a massa, Romilda diz:

“Não gosto de pão pequeno, não. Isso tem dia que eu faço de um tamanho, tem dia que eu faço de outro. O dia que eu tô com tempo eu faço eles mais pequeno, o dia que eu não tô, eu faço eles maior. Mas eu gosto deles é grande. Tenho uma tristeza de ir em aniversário de criança e aí cê pega aqueles pãozinhos daquele tamanhozinho e põe na boca de uma vez… Não é?”

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Em um mineirês tão cativante quanto as imagens de seu pãozinho, Romilda conta que ele só fica assim – bonito que dá gosto e de uma cor única, “amarela canastra” – se levar dois ingredientes importantes: ovos caipiras (os da granja vão deixá-lo mais esbranquiçado, e, já alerta o neto da cozinheira, “pão de queijo não é branco desse jeito!”); e queijo canastra, feito, no caso, por ela mesma.

“Com carinho e amor”, Romilda trabalha a receita em sua autêntica cozinha caipira, com fogão a lenha de alvenaria e paredes escuras da fumaça de tantas comidas fumegantes já apuradas ali. O pão do vídeo ela preferiu assar no forno elétrico, mas não deixou de reforçar que a versão mais saborosa é aquela que sai do “forno de lenha”, do jeito que faziam sua avó e sua mãe. Mais ou menos aos 9:17 minutos:

Gostoso ele fica é feito no forno de lenha. Isso vem de geração, né? Minha avó já fazia, minha mãe. É a mesma coisa do queijo. O queijo aí veio… Nem sei qual é, se foi meu avô, se foi meu bisavô que fez queijo primeiro. Sei que na idade de 6 anos eu já fazia queijo. Ah, não, pão de queijo eu já era mais velha. Pão de queijo eu tinha 15 anos quando eu peguei de fazer trem de comer porque ficava fazendo pra esperar os namorado. Risos. É, uai, a mãe era dessas. Se quisesse esperar o namorado, cê tinha que fazer trem pra comer, cê tinha que lavar a casa, cê tinha que limpar os terreno, não podia deixar nada sujo.”

Os pães de queijo deixam o forno soltando fumaça, lindos, enormes, macios, amarelo canastra. Dá para ouvir, por volta dos 11 minutos, alguém nos bastidores falando da beleza do salgado. Romilda, orgulhosa, responde humildemente.

Bonito, né? Tem que ver se tá gostoso!

Ao longo do vídeo, Romilda mostra o modo de fazer de seus maravilhosos pães de queijo da melhor maneira possível: fazendo (e narrando tudo, com muitas histórias entremeadas). Para anotar os ingredientes e o preparo sem se distrair com as bonitas imagens, corra o vídeo até 11:10 minutos.

(A nutricionista Neide Rigo conheceu Romilda e seu pão de queijo e fala desse encontro em seu blog Come-se, aqui e aqui.)

2 comentários Adicione o seu

  1. serendipity disse:

    !!!!!!
    🙂

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