O molho de tomate da discórdia de Marcella Hazan

Este molho de tomate, que o site de receitas Epicurious ensina a fazer no vídeo acima, é talvez a mais conhecida receita que a italiana Marcella Hazan (1924-2013) legou ao público americano – e talvez a que ainda cause mais polêmica. Autora de muitos livros de culinária, incluindo o Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica, lançado em português em 1997 pela Martins Fontes, ela ficou famosa quando já morava nos Estados Unidos. Foi lá que, aliás, ela aprendeu a cozinhar, já casada com o especialista em vinhos Victor Hazan.

Parte do sucesso dela se deve ao fato de ter divulgado entre os norte-americanos a culinária tradicional de seu país de origem (sobre esse tema da tradição e da própria Marcella, indicamos também a leitura do texto da jornalista Olívia Fraga). A receita que se tornou célebre, no entanto, tem raízes italianas, mas uma boa pitada de sua autoria: além de tomates e cebola, leva uma dose de manteiga, responsável por deixar o molho mais aveludado do que o comum. Muita gente torce o nariz para a fórmula ensinada por Marcella exatamente por isso; é como se ele fosse menos gostoso por não se ater ao passo a passo que poderia ser o original.

A família dela e muitos de seus seguidores, no entanto, não ligam para isso. O que é, afinal, uma boa receita: aquela que segue fielmente um método supostamente tido como o “correto”, ou aquela que, independentemente disso, dá “certo” no paladar, no gosto de quem vai comer? A pitada de “amor” que cada um acrescenta à sua maneira aos pratos, tradicionais ou não, seria, afinal, uma intrusa na cozinha ou um bem-vindo ingrediente?

O marido de Marcella, Victor Hazan, em entrevista ao site Epicurious, disse que a mãe da autora, na Itália, já costumava fazer um ótimo molho de tomate com manteiga. Na reportagem, que pode ser lida na íntegra em inglês aqui, ele conta assim:

“Ela fez [o molho da mãe dela] algumas vezes. Marcella era um gênio no quesito gosto. Ela tinha um entendimento imediato sobre como os sabores afetavam um prato. E ela se perguntava ‘por que cortar a cebola? Por que refogar? Eu vou juntar a cebola, o tomate e a manteiga e esquecer tudo isso’.” Acabou que esse esquecimento no preparo do molho de tomate o tornou uma das mais deliciosas coisas de se fazer. “É claro que ninguém mais fez isso, porque todo mundo estava seguindo a tradição”, disse Hazan.

4 comentários Adicione o seu

  1. Maria Rita Reboredo disse:

    Delicia vou fazer!!!!

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    1. Oi, Maria Rita, depois diga se gostou 🙂

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