O nascimento do saquê

The Birth of Saké
Seis meses longe de casa, no inverno, vigiando a fermentação do arroz, para fazer à mão um saquê ‘premium’

The Birth of Saké narra a rotina dos funcionários em uma antiga e tradicional fábrica de saquê. Ela fica em Ishikawa e se chama Tedorigawa Yoshida Sake Brewery. O negócio familiar tem mais de 140 anos. O filme fornece informações importantes sobre os ingredientes e a laboriosa produção (saquê é basicamente um fermentado de arroz, só que bem mais complexo). Também faz um mergulho profundo em um modo de vida que começa a desaparecer com os mais velhos diante de uma nova geração – e de um mercado – que não tem mais paciência para ele.

É provável que existam milhares de fábricas de saquê no Japão, mas as que são “movidas a intuição” talvez sejam bem poucas, porque vão sendo substituídas pelos esquemas industriosos. Aqui, na empresa da família Yoshida, o processo produtivo ainda é artesanal e as máquinas e tanques e termômetros funcionam como apoio, o que vale é a entrega, a observação e os sentidos dos trabalhadores.

De outubro a abril eles deixam suas casas e se mudam para a fábrica onde trabalham das cinco da manhã às oito da noite amassando o arroz com as mãos e na força dos braços, vigiando a transformação dos ingredientes em bebida. Longe das famílias, comem, dormem e tomam banho juntos até o fim, quando um deles sai para visitar os restaurantes e vender os produtos.

Além de provocar reflexão e de contar uma história emocionante, de perfilar homens velhos e jovens, de evidenciar a ausência das mulheres (elas estão na cozinha, e só), o filme é esteticamente deslumbrante. Dá uma olhada e me diz. Duvido ficar indiferente (não, não duvido, mas prefiro que não fique :)).

Faz  o seguinte… da próxima vez em que surgir uma janela de oportunidade, o sofá só para você, ninguém com quem disputar o controle remoto, não deixe o tempo escorrer pelas mãos navegando sem destino, zapeando sem conseguir escolher. Quando você perceber, a hora do recreio acabou ou o fim de semana já era. Em The Birth of Saké você ganha uns noventa minutos de vida. A crítica no New York Times  dizia que o filme às vezes é arrastado.  Eu achei exatamente o contrário. Quando vi, foi. Questão de gosto (ou de crítica). Não sei. Veja lá qual é a sua impressão.

The Birth of Saké official trailer from erik shirai on Vimeo.

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