Comer e beber a cidade: no Centro, do mercado dos caipiras ao Empório Chiappetta

Do balcão do famoso empório que leva o sobrenome de sua família, no Mercado Municipal, Leonardo Chiappetta testemunhou algumas transformações no Centro de São Paulo; outras, ele conheceu por meio das histórias contadas pelo pai e pelo avô, ambos de origem italiana, fundadores do negócio. Inaugurado em 1908 junto ao antigo mercadinho da Rua São João, mais ou menos no lugar da atual Praça do Correio, o empório foi transferido para o Mercado Municipal em 1933, assim que o novo prédio projetado por Ramos de Azevedo abriu as portas.

No depoimento que deu ao programa Memórias do Comércio do Museu da Pessoa, Leonardo, que nasceu em 1954 e até hoje comanda o Empório Chiappetta, descreveu a região em que se instalou o Mercadão de uma forma bem diferente da imagem de movimento caótico que hoje tem aquele entorno, estritamente dedicado ao comércio popular. Ali mesmo, a rua de Baixo – ou 25 de Março, já assim conhecida desde 1865 –, corria tranquila, paralela ao atualmente aterrado rio Tamanduateí, transversal à ladeira que desembocava no “porto geral”. “Na região da ladeira Porto Geral existia um porto de areia, para onde vinham as canoas. Pra você ver a dificuldade, o tamanho que era São Paulo naquela época!”, diz ele.

Nessa região, próxima ao rio e à estação da Luz, existia desde 1867 um primitivo entreposto de alimentos e bebidas, já tido como mercado. Ao lado desse antepassado do Mercadão, os roceiros vindos dos sítios e das chácaras das redondezas agrupavam-se logo cedo para vender hortaliças ao ar livre, em um ponto que, por isso mesmo, ficou por muito tempo conhecido como “mercado dos caipiras”. O fotógrafo italiano Vincenzo Pastore, que manteve um estúdio em São Paulo nos anos 1910, parece ter se interessado de maneira especial por essa área: ele capturou, ali, belas imagens de momentos que devem ter despertado a curiosidade dele naquele tempo (e a nossa, hoje).

Na foto reproduzida logo abaixo, integrante da Brasiliana Fotográfica do Instituto Moreira Salles, uma vendedora do mercado dos caipiras se agacha para colocar no saco de juta, aberto por um possível ajudante, as frutas (talvez laranjas?) que vendia no chão mesmo.

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Vendendo frutas no mercado dos caipiras, na rua 25 de Março, Centro de São Paulo (Foto: Vincenzo Pastore/Brasiliana Fotográfica)

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