As panquecas fritas da vó Sofia

Paulistano da Mooca, Henrique Martin tem 38 anos e vive, hoje, na Vila Monumento. Pelo som de sua voz neste depoimento por escrito, podemos suspeitar que um monumento ele também seria capaz de erguer para as inesquecíveis panquecas fritas de queijo preparadas por sua avó lituana que, segundo ele, era péssima cozinheira.

Minha avó lituana (mãe da mãe) era uma péssima cozinheira. Sério, maior trauma de ter uma avó que não cozinha direito na sua infância. Ou fazia coisas esquisitas, como uma gelatina de mocotó cinza de receita lá do leste europeu, chamada coxalinas. Tinha pés de galinha numa gelatina cinza-transparente cheia de coisas feias boiando. Ela morava numa casa na Água Rasa, com quintalzão e cheia de plantas. Mas uma coisa a vó Sofia sabia fazer bem: panquecas. Eram incríveis, crocantes, recheadas (o chato aqui só comia de queijo, quando criança, e até hoje também); mesmo fritas numa frigideira cheia de óleo quente. Minha mãe – que cozinha bem – nunca conseguiu reproduzir a receita: as dela sempre ficaram encharcadas de óleo.

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Este depoimento deu origem a um verbete em O dicionário das comidas impossíveis, que surge das respostas ao questionário Fatias de memória.

Clique aqui para contar sua história e nos ajudar a preencher esse relicário.

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