O pão molhado e temperado com azeite, alho e sal

Paulistana, Rita Del Mônaco cresceu na Vila Mariana e hoje vive em Perdizes. Nascida em 1965, ela conta que, na infância, sua família morava na casa de seus avós. Ele era ourives e ela preparava fartas refeições aos domingos. Todas as noites havia uma tradicional sopa, para começar. Naquele lugar, ao redor da mesa em que todos, não importavam os problemas que enfrentassem, sempre sentavam juntos para comer, foram construídas as melhores lembranças. Mas é em um lanchinho para aplacar a fome fora de hora que reside a primeira fatia de memória da Rita. O pão molhado. Quem o fazia era seu pai.

São três lembranças que me fazem sentir saudades…

Primeira: quando eu era bem pequena, meu pai fazia um tal de pão molhado quando estávamos com uma fominha, tipo no meio da tarde, num sábado, tipo de pai para as filhas (eu com uns 6 anos e minha irmã com 4, mais ou menos). Era bem legal, inclusive porque ele não sabia cozinhar nada, mas sabia fazer essa mistura, que era uma delícia. Só lembro que levava pão molhado na água, depois espremido, e aí ele temperava com bastante alho, azeite, sal e uns temperos que nem sei, mas que ficava ótimo e nós comíamos assim, cru mesmo. Hummm!!! Acho que representava, naquele momento, todo o amor que ele tinha por nós… pelo menos naquele momento, porque o relacionamento dele com toda a família era muito difícil, já que ele se tornou alcoólatra por vários anos…

Segunda: na casa da minha avó, quando éramos pequenos (porque vivíamos com meus avós até meus 11 anos) o jantar sempre era servido às 19h (até porque os horários de trabalho dos que trabalhavam em casa era somente até às 18h, impreterivelmente, mesmo meu avô trabalhando como ourives, em oficina própria e tendo sócios). E todos sentávamos à mesa juntos e meu avô sempre tomava sopa antes de tudo, todo dia minha avó tinha de fazer sopa… (os pais dos meus dois avós eram italianos). Uma família que come junto, apesar dos problemas pelos quais passam, sempre deixa recordações de união.

Terceira: lembro-me da fartura de pratos que minha avó fazia, principalmente aos domingos, porque sempre tinha uma ou duas pessoas para almoçar, além das sete que moravam lá. Meus pais, meus avós e nós três, os filhos. Penso eu que ela fazia uns seis a oito pratos diferentes, sei lá! (risos) Memória de infância… Até meus 7 anos, era bem legal. Depois, tudo mudou muito… 😦  Acho que é isso! Prefiro lembrar só das coisas boas.

***

Este depoimento deu origem a um verbete em O Dicionário das Comidas Impossíveis, que surge das respostas ao questionário Fatias de memória.

Clique aqui para contar sua história e nos ajudar a preencher esse relicário.

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