O Dicionário das Comidas Impossíveis

Atenção: este endereço é antigo. O dicionário mudou para uma página fixa em lembraria.com/o-dicionario-das-comidas-impossiveis. Agora ele é atualizado por lá!

Este relicário de memória afetiva descreve sabores únicos e lembranças por meio das quais as pessoas contam uma parte de sua história.

O Dicionário das Comidas Impossíveis surge dos depoimentos enviados, por escrito, para o questionário Fatias de memória  (clique aqui para participar e nos ajudar a escrever os próximos verbetes).

Por que “comidas impossíveis”? Porque acreditamos que comemos, também, para lembrar. Só que, dificilmente, conseguimos reproduzir o momento em que um determinado sabor foi impresso em quem somos, ou nos tornamos, com o passar do tempo.

O Dicionário é uma tentativa simbólica de revisitar esse lugar. Em construção.

Banana-da-terra frita e café com leite bem gostoso: refeição simples e comum no interior do Acre; lanche da tarde para quem prato de comida tão bom não há, nem no melhor restaurante da cidade; banana comprida frita [banana-da-terra] tem cheiro que lembra pressa seguida de conforto; pode variar com arroz e ovo frito. (Leia em A banana frita com café do lanche acreano)

Bife acebolado da vó Celina: feito especialmente quando a neta vai visitar; carne cansativamente martelada por uma avó escorada na pia em virtude de bico de papagaio precoce; bifes preparados com muito carinho e muito vinagre, sempre em silêncio, porque a cozinheira falava pouco; bife nunca mais encontrado assim, tão bom, tão macio, tão curtido no vinagre. (Leia em Os bifes acebolados da avó Celina)

Bolinho de aipim de apartamento: bolinho impossível de comer sem fazer comparação; preparado na cozinha em Copacabana, onde uma menina miúda sentava ao lado da mãe para vê-la moldar um a um e depois fritar; bolinho que inquieta o pensamento, antecipando a falta que fará um dia. (Leia em O bolinho de aipim no apartamento em Copacabana)

Café da manhã do avô: misto quente que o avô fazia para o café da manhã; duas fatias de pão de fôrma meio queimado, com sal, muçarela e tomate; sabor que o menino nunca mais conseguiu experimentar. (Leia em O café da manhã do avô)

Ensopado de pescoço de peru com agrião: receita que a faxineira do trabalho fazia com a vaquinha do almoço de sexta juntos e que até hoje faz salivar a moça “devota do pescoço”; prato que representa mil possibilidades em uma impossibilidade. (Leia em O ensopado de pescoço de peru com agrião)

Galo com massa fresca: temperados com ervas da horta, os pedaços do galo sacrificado na rinha cozinhavam por horas na panela de ferro, no fogão a lenha; para o acompanhamento, massa feita com os ovos que, vai saber, poderiam ter se tornado galos campeões. (Leia em Galos no fogão a lenha)

Panquecas fritas da vó Sofia: feitas pela avó lituana, mãe da mãe, que morava na Água Rasa e não cozinhava bem; panquecas incríveis, crocantes, recheadas de queijo e fritas numa frigideira cheia de óleo quente. A mãe, excelente cozinheira, não consegue fazer igual. (Leia em As panquecas fritas da vó Sofia)

Pão molhado e temperado com azeite, alho e sal: pão molhado na água, depois espremido, e temperado com bastante alho, azeite, sal e uns temperos que nem sei; lanche de aplacar fominha no meio da tarde, num sábado; lanche preparado pelo pai para as filhas pequenas; lanche que naquele momento é amor. (Leia em O pão molhado e temperado)

Pastéis da vó Ondina: quitute plural de avó boa no trivial de dia a dia de quem nunca teve muito dinheiro, mas tinha horta no quintal; pastéis de fazer a gente feliz; salgado de rainha de “rodízio” e “carretilha”; massa fina e translúcida à base de farinha, sal, água gelada e não sei o quê, recheada de carne moída, ovo cozido e azeitonas picados bem miudinho; fritura de sabor que nunca mais existiu; sabor que, mesmo imitando, não se pode imitar. (Leia em Os pastéis da vó Ondina)

Pêssego em calda com creme de leite: memória com sabor de despedida e de recomeço; último desejo da mãe da Ana, presente de aniversário de sua filha. (Leia em O Pêssego em calda com creme de leite)

Polenta tostada no fogão a lenha: do tempo em que fazia frio de verdade no inverno; café da manhã preferido; polenta assada na chapa do fogão, com uma crosta que se forma pelo calor; polenta tostada colocada pela mãe no prato fundo, mais leite, açúcar cristal e café; polenta “que salvou o mundo”. (Leia em A polenta do café da manhã no fogão a lenha)

Sopa de pão do vô Sabino e da vó Odete: primeira lembrança de gosto de uma neta; receita inventada pelo avô para uma boca vazio de dentes (a dele); pedaços de pão rasgados ao leite, café e açúcar, no fim de tarde depois da escola e com medo do Minotauro; receita praticada pela avó que, quando queria variar, fazia ciranda de fatias de pão e manteiga ao redor da xícara de café com leite, tudo sobre um prato colorex. (Leia em A sopa de pão do Seu Sabino e da Dona Odete)

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