O bolinho de aipim do apartamento em Copacabana

Constance Escobar nasceu no Rio de Janeiro, onde vive até hoje, aos 37 anos. É da época em que ela, criança, morava em um apartamento em Copacabana que vem uma de suas lembranças de comida mais inesquecíveis. O cenário era a cozinha e os personagens principais, a mãe, o bolinho de aipim e uma menina curiosa.

“São muitas [memórias de comida] (nem todas boas), mas talvez a mais recorrente seja a dos bolinhos de aipim feitos pela minha mãe. Não sei comer bolinhos de aipim sem me lembrar dos dela, sem fazer comparação. Recordo com clareza a cena na cozinha em Copacabana, onde eu (bem miúda, afinal, eu tinha seis ou sete anos quando nos mudamos daquele apartamento) me sentava ao seu lado para vê-la moldar os bolinhos um a um e depois fritar.

Às vezes tenho dúvida se me recordo de fato daquela cena ou se foi memória construída de tanto ouvir a mãe contar da minha companhia na cozinha. Mas tendo a concordar com os que acreditam que mais importante do que a maneira como a situação ocorreu é o modo como nos lembramos dela. O fato é que seus bolinhos de aipim seguem deixando minha vida melhor. Às vezes me vejo inquieta, com o pensamento longe, antecipando a falta que eles me farão um dia.”

***

Este depoimento deu origem a um verbete em O Dicionário das Comidas Impossíveis, que surge das respostas ao questionário Fatias de memória.

Clique aqui para contar sua história e nos ajudar a preencher esse relicário.

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