A banana frita com café do lanche acreano

Nilcélia Pires dos Santos tem 24 anos e mora no Acre, em uma cidade chamada Epitaciolândia, de menos de 15 mil habitantes, a mais de três horas de carro da capital Rio Branco. A lembrança de comida mais marcante de Nilcélia é persistente: a acompanha desde a época em que ela ainda vivia em Brasileia, onde nasceu, e continua a se “concretizar” no dia a dia dela. Trata-se de banana frita e café com leite.

“Bom, a minha memória de comida é uma refeição bem simples e até comum aqui no interior do Acre – apesar do que pensam, não existem apenas índios por aqui. Sim, voltando ao assunto em discussão, lembro-me do meu lanche à tarde, quando pequena, que até hoje é o meu preferido: banana comprida frita (na Região Sudeste, ela deve ser conhecida como banana-da-terra) com uma xícara de café com leite bem gostoso.

Não consigo lembrar quando essa paixão por banana frita começou, só sei que ela permanece até hoje. Durante o período da faculdade, em que saí de casa, minha refeição principal era composta de banana frita, arroz e ovo frito. Muitos pensavam que era assim pelo custo dessa refeição ser relativamente baixo, mas, na verdade, era porque essa refeição não poderia, para mim, ser substituída por nenhuma outra, nem que fosse no melhor restaurante da cidade.

Ela não me deixava apenas alimentada, mas, acima de tudo, feliz. Uma coisa tão simples tinha e tem o poder de mudar meu dia. O cheiro de banana frita é inconfundível, me lembra da pressa em preparar algo para comer porque eu estava muito cansada, na correria para fazer outra coisa ou em um momento de frustração, em que o melhor remédio era um prato com bananas fritas e café com leite. Essa é a minha lembrança de comida mais marcante até hoje. Espero continuar enriquecendo minha memória do ‘paladar’.”

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Este depoimento deu origem a um verbete em O Dicionário das Comidas Impossíveis, que surge das respostas ao questionário Fatias de memória.

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