Café da manhã (Jacques Prévert)

Pôs café na xícara
Pôs leite na xícara com café
Pôs açúcar no café com leite
Com a colherzinha mexeu
Bebeu o café com leite
E pôs a xícara no pires
Sem me falar
Acendeu um cigarro
Fez círculos com a fumaça
Pôs as cinzas no cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar
Levantou-se
Pôs o chapéu na cabeça
Vestiu a capa de chuva porque chovia
E saiu debaixo de chuva
Sem uma palavra
Sem me olhar
Quanto a mim pus a cabeça entre as mãos
E chorei

A propósito das minhas pesquisas sobre o começo dos dias (o que comemos no café da manhã) e a respeito das quais eu já falei um pouco aqui e outro tanto aqui, trago esse poema de café com leite e melancolia, um sopro e um golpe, da autoria do francês Jacques Prévert (Déjeuner du matin). Foi traduzido por Silviano Santiago para a coletânea Poemas (Nova Fronteira, 2000). Prévert nasceu em 1900, morreu em 1977 e escreveu também para cinema e teatro.

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