Dona Flor e seus improvisos

Dona Flor por Floriano Teixeira
Dona Flor por Floriano Teixeira

 

Vinte bolinhos de massa puba ou mais, conforme o tamanho que quiser. Aconselho dona Zélia a fazer grande de uma vez, pois de bolo de puba todos gostam e pedem mais. Até eles dois, tão diferetens só nisso combinando: doidos por bolo de puba ou carimã. Por outra coisa também? Me deixe em paz, seu Jorge, não me arrelie nem fale nisso. Açúcar, sal, queijo ralado, manteiga, leite de coco, o fino e o grosso, dos dois se necessita. (Me diga o senhor, que escreve nas gazetas: por que se há de precisar sempre de dois amores, por que um só não basta ao coração da gente?) As quantidades, ao gosto da pessoa, cada um tem seu paladar, prefere mais doce ou mais salgado, não é mesmo? A mistura bem ralinha. Forno quente.

Em Dona Flor e Seus Dois Maridos (p. 14 da edição de 2008, Companhia das Letras, feita a partir dos originais da Ed. 1, lançada em 1966), Dona Flor, professora de culinária, escreve ao romancista Jorge Amado. A carta é uma receita de bolo puba (de massa de mandioca). “Aprendi fazendo, quebrando a cabeça até encontrar o ponto (Não foi amando que aprendi a amar, não foi vivendo que aprendi a viver?).”

Receita de bolo puba de Dona Flor
Receita de bolo puba de Dona Flor, do manuscrito de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado

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