Lunchbox: palavras na lancheira

Cena de Lunchbox
Linhas tortas: no engano de um dabbawala, a cozinheira Ila troca a indiferença do marido frio pela correspondência viva com um interlocutor que lambe os dedos de alegria

“Eu acho que esquecemos das coisas, se não tivermos para quem contar”, escreve o senhor Fernandes em um bilhete. Ele guarda o papel na marmita que acabou de esvaziar, remetendo-a de volta. Quem vai receber a missiva é a cozinheira. Seu nome é Ila. O filme é Lunchbox (Índia, 2013), de Ritesh Batra.

Ila vive em Mumbai. Todos os dias ela usa o serviço dos dabbawala, os entregadores indianos que nunca erram, a fim de fazer chegar o almoço para o marido. Um dia, justamente aquele em que ela resolve tentar tirar o próprio casamento da geleira, um dos homens troca os destinatários e a marmita destinada a um marido desinteressado e desinteressante vai parar nas mãos do senhor Fernandes. Viúvo, sozinho, prestes a se aposentar. No refeitório da firma, destampando um a um os compartimentos da lancheira, ele sabe que encara algo totalmente diferente. Não chora, não reza e não ajoelha. Simplesmente come e lambe os dedos. O “engano” dá início a uma correspondência entre os dois.

Mais sobre Lunchbox em “A marmita certa e as linhas tortas“.

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